JOSÉ GIACOIA NETO
Engenheiro Agrícola,
M.Sc. em Irrigação e Drenagem (UFV)
MBA em Gestão Comercial (FGV)
Gerente Internacional de Negócios Américas, Rain Bird Intl.
PROCEDIMENTOS DE MONTAGEM E IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE IRRIGAÇÃO PARA PAISAGISMO E GRAMADOS
PARTE VI
4 – INSTALAÇÃO DE CONTROLADORES E ACESSÓRIOS DE AUTOMAÇÃO .
O controlador controla e opera a irrigação. Ele deve ficar em local de fácil acesso e utilização. Apesar de muitas vezes ele estar junto em casas de máquinas enterradas. É como se fosse um mito que o controlador tem que ficar perto do bombeamento. Controlador tem que ser instalado em local que permita acesso e operação. Agora com o advento da tecnologia de conexão com a rede Wifi local, recomenda-se instalar em local onde temos cobertura do sinal local de internet.
As recomendações de instalação do controlador de irrigação são:
– Sempre que possível ter um circuito independente para a irrigação no quadro de distribuição
Sempre que houver estações inutilizadas no controlador, realize um “jump” entre estas e a última estação em operação. Isso protegerá o sistema pois, se por engano, for programado “tempo de operação” para um setor inutilizado, a bomba não será acionada sem que haja fluxo de vazão nas tubulações.
O mesmo deve ser feito com os terminais destinados ao sensor caso o sistema não contemple a instalação deste dispositivo. Se o “jump” não for realizado, o sistema não operará, pois, a passagem de corrente até os solenoides das válvulas será interrompida.
– A altura de instalação deve ser sempre a que dê maior conforto e com visualização do display a altura média dos olhos.

Vamos abordar agora um assunto muito importante e muitas vezes negligenciado: O Aterramento dos controladores.
O aterramento elétrico é, basicamente a uma das formas mais segura de interferirmos na eletricidade de maneira a proteger e garantir um bom funcionamento da instalação elétrica, além, é claro, de atender exigências de normas.
- Componentes necessários para realizar um bom aterramento:
- Fio ou cabo condutor (sempre uma medida maior que o maior fio ou cabo da instalação que você quer proteger);
- Presilha ou conector (um para cada fio ou cabo);
- Uma ou mais hastes (núcleo de ferro revestidas com cobre) instaladas em triângulo, espaçadas de 2,5 m entre elas, o mais próximo possível do sistema ou aparelho a ser protegido;
- Solo em contato íntimo com a (s) haste (s);
- Aditivos químicos (se necessário) para baixar a resistividade do solo: Cloretos de Sódio ou de Cálcio, Nitratos de Sódio ou Potássio, Sulfato de Amônio;
- Caixas de proteção para instalação das hastes

O Aterramento pode ser feito de diversas formas a utilizando diferentes tipos de produtos. O mais comum é utilizar estacas. Mas também existem os pratos de aterramento que promovem uma instalação mais simples e também é mais fácil de instalar em alguns casos. Nada impede também de utilizar um sistema misto de estaca e prato.
É muito popular a recomendação de esquemas de triângulo com três estacas. Porém o importante é obter a resistência elétrica ao solo de acordo com a tolerância e recomendação do fabricante.
Os sistemas de irrigação possuem diferentes níveis de aterramento de acordo com o componente e de acordo com o tipo de automação ou sistema.
Ou seja, o número de estacas ou pratos deve ser tal que consigamos reduzir a resistência até o nível desejado.
As recomendações de resistência (dada em ohms – símbolo = Ω), aterramento para controladores eletrônicos são:
- 0 a 5 ohm Excelente
- 6 a 10 ohm Bom
- 11 a 15 ohm Marginal
Acima de 15 ohm MUITO MAL!!
Cada tipo de solo tem uma resistência média de referência

Muitas vezes, chegar a resistência recomendada é muito difícil e começar a se tornar onerosa ou muito trabalhosa. Nestes casos se pode utilizar os compostos químicos para aumento de resistência. Adicionamos estes produtos ao solo e próximo aos produtos de aterramento.
O grande cuidado que se deve ter é que estes produtos devem ser repostos e adicionados novamente de tempos em tempos.
Além do aterramento é importante que o controlador receba a voltagem de entrada estabilizada. Em locais em que se tem problemas de oscilações frequentes de voltagem instalar um estabilizador de voltagem. Geralmente recomenda-se a utilização de estabilizadores de 0,8 KVA.
Em casos onde além de oscilação temos quedas abruptas e constantes, recomenda-se a utilização de “nobreaks” ou “ups”, Se trata de um condicionador que regula a voltagem e a pureza da energia que chega até os eletrônicos conectados a ele. Além disso, nobreak também é responsável por alimentar os dispositivos, em caso de queda de luz, através de uma bateria.
Instalação do sensor de chuva
O sensor de chuvas é o sensor mais popular e o mais utilizado em irrigação de paisagismo. Deveria também ser mais utilizado em Agricultura pois sempre gera economia de energia elétrica e água.
O sensor de chuvas deve ser instalado sempre em locais abertos onde possa receber chuva e sol, com pouca incidência de ventos.
O sensor nunca deve ser instalado abaixo de redes elétricas de alta tensão e nem próximo a equipamentos que produzam campo magnético.
Como já mencionado em nosso último artigo a fiação dos sensores deve ser sempre de cores diferentes às cores do fio comum de do fio de retorno das válvulas.
Fig. 7. Foto e Detalhe de Instalação de um sensor de chuvas.
Existem outros acessórios e componentes para aumentar o controle e a eficiência dos sistemas de irrigação.
Um componente que tem aumentado muito seu uso é o sensor de umidade do solo.
Estes sensores são calibráveis e suspendem ou interrompem a irrigação quando o solo atinge o nível de umidade calibrado. Geralmente são calibrados como sendo o máximo a capacidade de campo e o ponto de reposição é o 50% acima do ponto de murcha permanente.
A instalação deste tipo de sensor em sistemas tradicionais de irrigação, proporcionam economia de água na ordem de 40% ou mais. Isso acontece, pois, este modelo de dispositivo é capaz de analisar a disponibilidade real de água para as plantas e a partir desta informação, suspender ou não a irrigação programada. Ou seja, o sistema de irrigação será acionado somente quando a umidade detectada no solo for considerada insuficiente para manter a saúde e beleza das plantas.
Para sistemas de irrigação para paisagismo a eleição do local de instalação de um sensor de umidade tem que obedecer alguns critérios específicos.
- Escolha um local com 100% de insolação
- Evite pontos onde a água tipicamente escoa
- Evite pontos onde a drenagem pode não ser representativa do local como um todo
- Evite locais expostos a tráfego pesado
- Evite locais limítrofes ou próximos a calçadas, passarelas, piscinas, etc
- Evite locais que são irrigados por mais de um setor do sistema
Fig. 8. Exemplos de locais recomendados e locais não recomendados para instalação de sensores de umidade.
Devido ao nível dos instaladores e usuários os sensores devem ser de fácil instalação, auto calibráveis e sem necessidade de manutenção constante.
Em alguns modelos de mercado temos a capacidade de monitorar três variáveis: Temperatura, condutividade elétrica e leitura de umidade volumétrica.
Neste tipo de sensores Leituras permanecem estáveis mesmo com mudanças de temperatura e salinidade. Não necessita de calibração para diferentes tipos de solo.
Podemos instalar até um sensor por válvula. Obviamente se tratando de uma instalação muito específica.
Um sensor apenas pode controlar todo o sistema. Basta instalarmos na área mais representativa.
Sua utilização cresce mais ainda em sistemas de irrigação para paredes verdes e telhados verdes.
Os sensores podem ser também por conexão por cabos ou a bateria.




